Governo estadual anuncia retorno das aulas presenciais; APP-Sindicato é contra

 

A rede estadual de ensino do Paraná terá, a partir de 10 de maio, uma volta gradativa às aulas presenciais. O retorno deve acontecer paralelamente à vacinação dos profissionais da Educação, programada para este mês, e em um momento de queda na taxa de transmissão e nos indicadores de contágio. O anúncio foi feito pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior nesta terça-feira (4).

Há três critérios para a definição de quais colégios devem ter prioridade para a volta das atividades presenciais. O primeiro deles é o acompanhamento das cidades onde houve retorno das redes municipais de ensino e do transporte escolar. Além disso, serão priorizadas as instituições de ensino onde há alunos em situação de vulnerabilidade e sem acesso a equipamentos digitais para realizar as atividades remotas. Outro critério é a análise de colégios com maior número de professores fora do grupo de risco. As secretarias da Educação e do Esporte e de Saúde ainda estão realizando o mapeamento dos locais.

Nas escolas que reabrirão para atividades presenciais, será adotado o modelo híbrido de ensino, ou seja, parte dos alunos assistirá às aulas presencialmente, em sala de aula, enquanto a outra parte acompanhará remotamente, vendo as aulas ao vivo. Para isso, as salas de aula estão equipadas com computadores e internet, possibilitando que os professores interajam com ambos os grupos de estudantes.

As instituições de ensino seguirão um protocolo de segurança, garantindo distanciamento de 1,5 metro entre os estudantes, disponibilizando álcool em gel, reforçando a obrigatoriedade do uso de máscara e aferindo a temperatura de alunos e funcionários na entrada do colégio. Distanciamento, uso de máscara e aferição de temperatura também são regras dentro do transporte escolar.

O retorno presencial não será obrigatório. Pais, mães ou responsáveis legais que desejem o retorno dos estudantes devem assinar um termo de autorização a ser entregue na instituição de ensino. Os alunos que optarem por não ir às aulas presencialmente continuarão no ensino remoto (que inclui as plataformas digitais do Aula Paraná, videoaulas no YouTube e TV aberta, além do kit pedagógico impresso), que acontece desde o início deste ano letivo, em 18 de fevereiro.

 

APP-Sindicato é contra

Se, por um lado o governo estadual dá como certa a volta às aulas presenciais, de forma gradativa, a APP-Sindicato é contrária ao retorno. Leia abaixo, a nota enviada pelo presidente da categoria em Foz do Iguaçu.

Sem vacinação contra a Covid-19 para a maior parte da população e sem controle da pandemia, a APP-Sindicato/Foz é contra a volta às aulas presenciais na rede estadual. Não há critérios técnicos e científicos justificados para a reabertura das escolas para atividades de ensino.

Não houve qualquer diálogo com os educadores sobre a retomada das aulas presencialmente, determinada pelo governador Ratinho Junior (PSD) para acontecer já a partir desta segunda-feira, 10. A medida coloca em risco a saúde e a vida de professores, funcionários, estudantes e suas famílias.

Especialistas alertam que vacinar educadores e determinar aulas presenciais irá manter a pandemia ativa, pois os imunizados podem ser infectados com a forma leve da doença e transmiti-la. Com vacina apenas a professores e funcionários, o contágio não será contido nas escolas.

No atual momento, “não há protocolo seguro para retorno das aulas presenciais”. A afirmação é do epidemiologista Lucas Ferrante, que estuda a evolução da pandemia no país, é autor de artigos publicados nas revistas Nature e Science e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

Vale dizer que, sob a retórica dos governos de protocolos sanitários “seguros”, que perdura um ano, ocorreram duas ondas de alta da pandemia e novas e mais graves variantes do coronavírus. Nesse período, houve colapso hospitalar, adoecimento e mais de 400 mil mortes por covid-19 no Brasil.

 

Nas condições atuais, não é possível a volta às aulas presenciais, por várias outras circunstâncias:

– aumento vertiginoso da circulação de pessoas;

– transporte público precário para adolescentes e jovens;

– estrutura física das escolas inadequada para o enfrentamento da pandemia; e

– falta de funcionários e professores (o que representará carência no atendimento de alunos e aulas vagas sem que educadores possam acompanhar os estudantes).

Diante das demonstrações do Governo do Paraná de imprudência e desapego à saúde da comunidade escolar, a APP-Sindicato/Foz reitera que a categoria aprovou, em assembleia no mês de fevereiro, a deflagração de greve geral pela vida. Cuidar das pessoas: esse deve ser o principal compromisso neste momento de pandemia.

 

4 de maio de 2021.


  Diego Valdez

                        Presidente da APP-Sindicato/Foz

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