Crianças com deficiência visual têm aulas em braile em escolas municipais

Victor Manoel de Moraes tem 7 anos e está aprendendo a ler e a escrever em braille. Ele é um dos alunos da sala de recurso multifuncional da Escola Municipal Ponte da Amizade, instituição que oferta atendimento especializado a pessoas com deficiência visual em Foz do Iguaçu.

Além do ensino em braille, Victor recebe estímulos para trabalhar a coordenação motora e a mobilidade sobre as atividades diárias, ações que contribuem para sua autonomia e a inclusão social.

Por conta da pandemia da Covid-19 e o período em que permaneceu fora da sala de aula, a escola ampliou o atendimento presencial no contraturno escolar, de duas para quatro vezes por semana, e emprestou para a família de Victor uma máquina de escrever em braille, para que ele possa revisar os conteúdos em casa. “Victor é um aluno muito inteligente. Apesar da pandemia, que prejudicou muito o atendimento a esses alunos, estamos conseguindo trabalhar muito bem os conteúdos, a coordenação motora, o tato e a audição dele”, contou a professora Angela Maria Diniz Kuhn.

Fernando Henrique Debona, de 7 anos, frequenta a Escola Ponte da Amizade desde os dois aninhos. Duas vezes por semana, a mãe Rosana, acompanha o atendimento do filho, que tem síndrome de down, autismo e baixa visão. A pequena Eloisa, de um ano e meio, também recebe o atendimento especializado para baixa visão.

“No caso do Fernando e da Eloisa fazemos a estimulação visual, que visa conquistar a eficiência visual promovendo ou melhorando a fixação e o foco ocular, a percepção das cores, a lateralidade, coordenação visomotora e autonomia para a execução das atividades diárias”, explicou a coordenadora da escola, Thamara Domareski Pedrosa. Para os pequenos, jogos e brincadeiras são utilizados pelos profissionais para auxiliar na coordenação motora e facilitar as relações sociais.

 

Atendimento

A Escola Ponte da Amizade oferta atendimento especializado em Foz do Iguaçu desde 1989. Atualmente, 43 alunos são atendidos nas chamadas salas de recurso multifuncional, divididos em cinco turmas. São oito alunos cegos, sendo cinco crianças e três adultos, que recebem atendimento de alfabetização de leitura e escrita em Braille, Orientação e Mobilidade e Atividades da Vida Diária (AVDs).

Os demais 35 alunos apresentam Baixa Visão e são atendidos para a Estimulação Visual. A instituição atende alunos da Rede Pública (Centros Municipais de Educação Infantil – CMEIS e escolas) e adultos cegos com laudo médico. Os alunos do Ensino Fundamental anos finais são atendidos pelo Estado no Colégio Estadual Monsenhor Guilherme.

 

Formação dos professores

Para melhorar ainda mais a qualidade do serviço prestado aos alunos, a Secretaria Municipal da Educação está ofertando uma formação sobre as necessidades educacionais da pessoa com deficiência visual aos profissionais que atuam na Escola Ponte da Amizade. As oficinas pedagógicas começaram no dia 11 de agosto e seguirão até o dia 29 de setembro, com encontros semanais, todas as quartas-feiras, no formato on-line. Entre os temas abordados estão o desenvolvimento psicomotor e a estimulação precoce, o brincar como meio de aprendizagem, a interação social e o sistema Braille.

“A formação é ofertada para todos os profissionais da escola Ponte da Amizade [professores, coordenadores e a direção], tanto aqueles que atuam com a educação especial como os que atendem o ensino comum. É um projeto muito produtivo com enfoque na inclusão. Queremos a participação de todos(as) para que a inclusão de fato aconteça”, explica a diretora de educação especial da Secretaria da Educação, Gisele Amâncio Siqueira.

O trabalho é conduzido pelo Instituto dos Cegos do Estado de Mato Grosso (Icemat), instituição filantrópica voltada ao atendimento das necessidades educacionais das Pessoas com Deficiência Visual.

 

 

 

 

Assessoria

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